segunda-feira, 7 de março de 2016

Reflexão sobre os Impactos da Globalização nas Políticas Públicas em Educação

Para compreendermos como o processo de globalização, vem refletindo mudanças no cotidiano do nosso trabalho escolar, me parece indispensável pontuar alguns esclarecimentos citados pelo artigo “Impactos da Globalização nas Políticas Públicas em Educação” do Professor da UNESP João Cardoso Palma Filho. Em seu artigo é traçado um paralelo como o avanço da globalização, do pensamento liberal e neoliberal, vem modificando de maneira efetiva a situação que vivemos no chão da sala de aula no Brasil.
As ideias liberais e neoliberais modificaram e/ou modificam completamente as relações que o Estado possuía com as políticas públicas. O compromisso do pensamento neoliberal é privilegiar as questões econômicas em detrimento das demandas sociais, ou seja, o Estado nacional passa a governar para os mercados mundiais representados pelas empresas multinacionais e transnacionais deixando à regalia as necessidades de sua população, principalmente a mais pobre.  
Neste mesmo contexto podemos citar a necessidade ideológica deste pensamento acerca da privatização da educação, que hoje é pública e gratuita, como solução para uma educação de qualidade no país. Na verdade este conceito vem camuflar a realidade e ampliar, ainda mais, o abismo das diferenças sociais, pois, nesta circunstância realmente irá existir uma oferta e concorrência de uma educação de qualidade no mercado, no entanto, atenderá aos que possuem um poder aquisitivo maior deixando a população carente com um ensino de baixa qualidade.
Em relação ao chão da escola podemos perceber que a globalização deste pensamento único tem nos atingido no decorrer do tempo da nossa carreira docente. As experiências trocadas nos corredores, em reuniões pedagógicas ou na sala dos professores refletem que as políticas educacionais atendem cada vez mais ao mercado econômico internacional.
 A progressão continuada é um exemplo, o intuito desta política educacional era diminuir os índices repetência no país - e isso é ótimo - mas qual motivação para tomar esta decisão? O FMI (Fundo Monetário Internacional). O FMI decretou que, para emprestar dinheiro para o Brasil teria que baixar os indicies de repetência do país, o resultado disso tudo vivemos em nosso dia a dia, os alunos estão desmotivados a buscar resultados positivos e a progressão continuada virou aprovação automática. Os índices de repetência diminuíram, mas não houve uma melhora na qualidade da educação.
Do ponto de vista da política salarial, apesar de ter vindo do Estado da Bahia que possui uma configuração totalmente diferente da carreira docente da que vivencio na cidade de São Paulo, percebo através dos depoimentos de meus colegas de trabalho a perda de vários benefícios, um que poderia exemplificar é a impossibilidade dos professores ingressantes se aposentarem com salário de Jeif.
Na perspectiva do assistencialismo a prefeitura de São Paulo tem avançado, os alunos possuem material didático, uniforme escolar completo, alimentação de qualidade, vale leite e os alunos com NEE (Necessidades Educativas Especiais) possuem direito ao TEG (Transporte Escolar Gratuito) para ir e voltar da escola.
 Na verdade, precisamos questionar o pensamento único imposto para nossa sociedade atual, uma doutrina que tem aprofundado nossa maneira de pensar as políticas educacionais, principalmente depois do advento do consenso de Washington de 1989. Necessitamos abandonar a reflexão ingênua de que o Estado é o responsável pelo abismo social que vivemos, mas ampliar esta responsabilidade para o mercado econômico que materializado pelas das grandes corporações “ditam” como o mundo globalizado deve se configurar.

Referência:

PALMA FILHO, J. C. Impactos da globalização nas políticas públicas em educação. Acervo digital da UNESP. Disponível em: http://www.acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/36/4/D03_Impactos_Globaliza%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso em 06 março de 2016.

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