Para compreendermos como o
processo de globalização, vem refletindo mudanças no cotidiano do nosso
trabalho escolar, me parece indispensável pontuar alguns esclarecimentos
citados pelo artigo “Impactos da Globalização nas Políticas Públicas em
Educação” do Professor da UNESP João Cardoso Palma Filho. Em seu artigo é
traçado um paralelo como o avanço da globalização, do pensamento liberal e neoliberal,
vem modificando de maneira efetiva a situação que vivemos no chão da sala de
aula no Brasil.
As ideias liberais e
neoliberais modificaram e/ou modificam completamente as relações que o Estado possuía
com as políticas públicas. O compromisso do pensamento neoliberal é privilegiar
as questões econômicas em detrimento das demandas sociais, ou seja, o Estado
nacional passa a governar para os mercados mundiais representados pelas empresas
multinacionais e transnacionais deixando à regalia as necessidades de sua
população, principalmente a mais pobre.
Neste mesmo contexto podemos
citar a necessidade ideológica deste pensamento acerca da privatização da educação,
que hoje é pública e gratuita, como solução para uma educação de qualidade no país.
Na verdade este conceito vem camuflar a realidade e ampliar, ainda mais, o
abismo das diferenças sociais, pois, nesta circunstância realmente irá existir
uma oferta e concorrência de uma educação de qualidade no mercado, no entanto,
atenderá aos que possuem um poder aquisitivo maior deixando a população carente
com um ensino de baixa qualidade.
Em relação ao chão da
escola podemos perceber que a globalização deste pensamento único tem nos
atingido no decorrer do tempo da nossa carreira docente. As experiências
trocadas nos corredores, em reuniões pedagógicas ou na sala dos professores
refletem que as políticas educacionais atendem cada vez mais ao mercado
econômico internacional.
A progressão continuada é um exemplo, o
intuito desta política educacional era diminuir os índices repetência no país -
e isso é ótimo - mas qual motivação para tomar esta decisão? O FMI (Fundo Monetário
Internacional). O FMI decretou que, para emprestar dinheiro para o Brasil teria
que baixar os indicies de repetência do país, o resultado disso tudo vivemos em
nosso dia a dia, os alunos estão desmotivados a buscar resultados positivos e a
progressão continuada virou aprovação automática. Os índices de repetência diminuíram,
mas não houve uma melhora na qualidade da educação.
Do ponto de vista da
política salarial, apesar de ter vindo do Estado da Bahia que possui uma
configuração totalmente diferente da carreira docente da que vivencio na cidade
de São Paulo, percebo através dos depoimentos de meus colegas de trabalho a
perda de vários benefícios, um que poderia exemplificar é a impossibilidade dos
professores ingressantes se aposentarem com salário de Jeif.
Na perspectiva do
assistencialismo a prefeitura de São Paulo tem avançado, os alunos possuem material
didático, uniforme escolar completo, alimentação de qualidade, vale leite e os
alunos com NEE (Necessidades Educativas Especiais) possuem direito ao TEG
(Transporte Escolar Gratuito) para ir e voltar da escola.
Na verdade, precisamos questionar o pensamento
único imposto para nossa sociedade atual, uma doutrina que tem aprofundado nossa
maneira de pensar as políticas educacionais, principalmente depois do advento
do consenso de Washington de 1989. Necessitamos abandonar a reflexão ingênua de
que o Estado é o responsável pelo abismo social que vivemos, mas ampliar esta
responsabilidade para o mercado econômico que materializado pelas das grandes corporações
“ditam” como o mundo globalizado deve se configurar.
Referência:
PALMA FILHO, J. C.
Impactos da globalização nas políticas públicas em educação. Acervo digital da
UNESP. Disponível em: http://www.acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/36/4/D03_Impactos_Globaliza%C3%A7%C3%A3o.pdf.
Acesso em 06 março de 2016.
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