quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Memorial Reflexivo

Fazer uma análise das ações que consigo realizar e as aprendizagens que construí em sala de aula sobre a perspectiva teórica é um exercício de certa maneira complexo. Tendo como base os textos do Prof. Nevóa e Profª. Marília percebo que, a aprendizagem não é mera mecanização dos conteúdos, mas existe algo além na relação professor/aluno que necessita acontecer antes desse processo.
Paulo Freire escreve que precisamos escutar os alunos, falar com eles e não apenas falar para eles, porque quem apenas fala jamais ouve. Essa afirmativa é muito interessante, uma vez que trata de algo além do saber acadêmico, algo próprio das relações humanas que cada professor irá construindo em seu dia a dia com o aluno.
Um outro ponto que me parece ter conexão com o que está sendo discutido são as dificuldades encontradas em nossa prática docente, a mais gritante é a indisciplina. Essa indisciplina é atenuada a partir de uma boa relação que o professor possui com a classe. Percebo nesse movimento, vivenciado na prática, que os alunos se rebelam ao autoritarismo, mas “baixam a guarda” para professores que possuem habilidades no campo das relações humanas.
Considerando o espaço escolar compreendemos que as aprendizagens construídas no ambiente profissional são imprescindíveis na formação do professor. As reflexões pedagógicas, as trocas de conhecimentos e a observação do fazer do outro, constrói e reconstrói a professora que sou, já que o professor vive em um processo de formação e aprendizagem contínuo que refletem no exercício do seu magistério.
Do ponto dia vista da coletividade tenho “sorte” em trabalhar em uma escola que facilita esse processo de aprendizagem entre os professores, e assim promove um conhecimento não formal em nossos encontros diários é o famoso saber próprio do docente que, não estão nas teorias que estudamos. Temos problemas como em qualquer escola, mas acredito que o nosso diferencial são as reflexões que a coordenação pedagógica nos oferece e o nosso compartilhar de experiências.
Me parece importante aqui explanar um pouco sobre a teoria que desenvolvo em sala de aula, tradicional ou escola novistas? Considero que ainda não possuo competência para classificar, mas percebo que faço uma mescla de várias teorias e pensamentos internalizados por mim e apreendo que, a cada ano me afasto mais prática tradicional, mas ainda a realizo.
Dentro ainda do momento de minha experiência como professora de escola pública, me recordo, acerca do conceito das diferenças de capital cultural entre meus alunos e como ela interfere na aprendizagem. Creio que muito dos meus alunos não possuem acesso a estes capitais e nunca me deparei com grandes diferenças entre os grupos que leciono. Por este motivo, quando temos a oportunidade de inserir os alunos em contato com estas experiências de aprendizagens, além dos muros da escola, existe uma mobilização do corpo docente para que aconteça.
Concluindo estas reflexões em torno da importância da prática docente e a teoria, gostaria de deixar claro que estou engatinhando neste processo, uma compreensão teoricamente mais abrangente necessita ser feita, mas atualmente não é possível ser realizada em consonância com a minha própria limitação teórica para fazê-lo.



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