terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Refletindo sobre: É o professor que ensina ou o aluno que aprende?

Ao entrar em sala de aula para realizar meu trabalho docente não são apenas os livros, os títulos e os conhecimentos dos conteúdos que me acompanham, a minha formação familiar e como me relaciono com as pessoas estão presentes no cotidiano das aulas. Essa compreensão não foi um caminho fácil, foi necessário buscar auxilio da psicologia para conseguir pensar e repensar minha prática com maior clareza. E ao refletir a mim mesma e a minha prática deparei-me inúmeras vezes com uma professora autoritária, com pensamentos tradicionais e aulas enfadonhas.
 Mas as minhas reflexões despidas da responsabilidade não provocam mudanças, mas mesmices, porque primeiro preciso ter a lucidez do meu papel nas ações que envolvem o cotidiano da sala de aula para depois modificar minha prática e a maneira de agir. Por exemplo, muitas vezes em sala de aula me deparei com os mesmos comportamentos de minha mãe, minha mãe era uma pessoa muito nervosa com pouca paciência para ouvir e ensinar, então reproduzia com meus alunos aspectos vivenciado em meu seio familiar, agora imagine uma professora que não tem paciência e não gosta de ouvir. Muitas vezes minhas aulas viravam um desastre!
No esforço de melhorar como professora e através da observação das relações que alguns colegas tinham com os alunos percebi que, necessitava de outros conhecimentos para desenvolver meu trabalho, sendo assim, me deparei com os aspectos não cognitivos que permeiam o dia a dia da escola como é descrito no artigo da Drª. Marília Pinto de Carvalho “Ensino, uma atividade relacional” publicado em 1998. Os aspectos não cognitivos são as relações humanas. O professor trabalha com pessoas e precisa possuir habilidades nestas relações, ou seja, necessita criar um ambiente de afetividade saudável com os alunos.
            Com o passar do tempo modifiquei meu olhar acerca das situações-problemas que encontro em minhas aulas. Quando um aluno fala mal ou usa de agressividade com o colega procuro me acalmar e ouvir as duas partes sobre o que aconteceu. Ás vezes consigo resolver aquela questão ás vezes não. Percebo que alguns alunos ficam muito irritados quando não existe uma punição (enviar para a direção, mandar convocação para os pais etc.), principalmente os adolescentes, para alguns o diálogo não é o suficiente e cobram um posicionamento mais rígido do professor e da escola. 
            Do ponto de vista das habilidades e competências quando o aluno possui dificuldades em alcançar aquele conteúdo procuro refletir minha prática e a disposição que o aluno possui em aprender, pois inúmeros fatores ocorrem em sala de aula e por incrível que pareça existem alunos que se negam ao aprendizado escolar. Converso bastante com os colegas sobre os problemas que estou tendo e procuro conversar com o aluno sobre o que possui mais dificuldade e, assim vou procurando caminhos para ajudá-lo.
Desta maneira, o saber específico que o professor mobiliza em sua ação pedagógica é estabelecido por meio da relação com o aluno. Esta relação precisa ser de respeito e confiança, tendo como objetivo o conhecimento de suas necessidades, para que ocorra a aprendizagem.
Referências:

CARVALHO, Marília Pinto de. Ensino uma atividade relacional. Revista brasileira educação. Campinas/SP, n. 11, p. 17-31, mai/ago 1999a.

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