terça-feira, 7 de junho de 2016

Voto e Educação

No final do século XIX o Brasil estava vivendo grandes transformações políticas, com o declínio do império a forma de governo constituída passa a ser a república que tem como característica a eleição do chefe de Governo pelo voto popular. O interesse no voto dos populares e na construção de uma nacionalidade brasileira coloca a educação novamente na agenda política.
Na época da proclamação da república em 1889 a educação no Brasil era tão precária que as camadas populares não compreenderam este momento da nossa história. A república apesar de significar em latim res publica, expressão que pode ser traduzida como "assunto público" foi um processo realizado e compreendido pela elite brasileira, aproximadamente 85% da população era analfabeta e não fizeram parte dos debates estabelecidos sobre esse assunto.
Compreendendo a necessidade de transmitir os valores republicanos, que ainda não eram apreendidos pela maior parte da população, e o combate à oligarquia, a primeira república passa a ter interesse em disseminar o ensino primário como função social e com o intuito de formalizar os costumes, moralizar e disciplinar as crianças das camadas populares, sendo assim, podemos observar que a educação deveria criar uma identidade brasileira com princípios republicanos.
A seguinte questão que chega a pauta é a inserção dos analfabetos no processo eleitoral, já que, na constituição de 1894 a alfabetização é um direito intrínseco a cidadania e ao exercício eleitoral. No vídeo apresentado “O voto e a educação” é mencionado que a educação entrou na agenda política por causa dessa necessidade do voto popular, no entanto, a educação privilegiada pela república foi em direção à formação da consciência republicana das crianças em detrimento de politica pública na educação de jovens e adultos.
Nessa perspectiva podemos considerar que existe uma correlação entre a primeira república e a questão da política na educação brasileira tendo como sentido fundamentar o novo sistema de governo vigente através da alfabetização das crianças com os valores republicanos.




Referências: 


VOTO e a educação, O. Direção: Univesp - NEaD/UNESP, 2016. 14:04 mim. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WG-sSC_N6tU&feature=youtu.be. Acesso em Maio de 2016.

Discussões sobre a História da Educação Brasileira no Império

A expulsão dos jesuítas do Brasil, terminando com o quase monopólio da Companhia de Jesus, trouxe melhoria para a educação no Brasil?

Com a expulsão dos jesuítas do Brasil, a educação brasileira foi substituída pelo pensamento pedagógico da escola pública e laica, tendo como pressuposto a razão das ciências, rompendo com o sistema anterior embasado na educação eclesiástica, no entanto, podemos observar a decadência do sistema educacional pois não houve implementação das aulas régias, e consequentemente a diminuição dos estabelecimentos de ensino.

Do ponto de vista da educação popular, que significado teve a ação de D. João VI no período em que esteve no Brasil?

Com a chegada de D. João VI, modificou a política educacional. Foram fundadas escolas, instituições acadêmicas e culturais (Museu, Biblioteca Nacional, Jardim Botânico, entre outros) que deram um novo impulso na educação e rompia com o ensino vigente do país (O ensino dos jesuítas). Porém, estes avanços foram destinados a elite e o resto da colônia continuava mergulhado no mesmo atraso. Sendo assim, não trouxe benefícios para a educação popular.

Discuta se a educação no período jesuítico pode ser considerada pública.

A educação no período jesuítico não pode ser considerada pública, pois, era excludente (acolhia apenas a elite) e atendia aos interesses do Clero (Igreja), podemos citar como exemplo: A catequização dos índios e o afastamento do conhecimento científico pelo conhecimento dos interesses da religião.
Com as reformas pombalinas através das aulas régias começamos a ter no Brasil o início da concepção de educação laica e pública, no entanto, a educação pública brasileira ainda precisaria percorrer várias discussões históricas para ser implementada. Após a chegada da Família Real “surgiu” a necessidade de pensar sobre educação, e em 1823 foi formada uma comissão para instrução pública e já na constituição de 1824 foi instituído a educação primária gratuita para todos os cidadãos

Discuta se o regime das "Aulas Régias ou Avulsas" instituído por Pombal significou avanço no processo de ensino e aprendizagem.

Com a expulsão dos jesuítas, Marquês de Pombal, implantou o sistema de aulas régias, ou seja, aulas de disciplinas isoladas. Para Fernando Azevedo isso trouxe um retrocesso na educação, pois apesar de não existir uma difusão muito forte na educação da colônia, os padres jesuítas faziam isso muito bem, não que a educação jesuítica fosse moderna, é que existia um padrão que estava sendo construído dentro de um sistema educacional. A educação atual recebeu fortes influências desse novo sistema educacional, porém a falta de empenho na implementação, não trouxe avanço significativo na educação do Brasil.

Discuta os principais aspectos que caracterizam a educação no período pombalino no Brasil. Por que será que em Portugal houve avanços e no Brasil não?

Com o início do período pombalino a educação brasileira começa a sofrer influências das ideias iluministas, vindas da Europa, os conteúdos passaram a ser responsabilidade do Estado que tinha como objetivo criar um currículo mais científico, embasado na razão, e nas aulas régias que, trouxeram a sistematização de um ensino laico pautado no conhecimento dividido em disciplinas. Apesar das reformas pombalinas terem avançado significativamente no sistema educativo de Portugal aqui no Brasil Colônia não aconteceu o mesmo. Os Jesuítas, que eram responsáveis pela educação brasileira, foram expulsos com a chegada do Marquês de Pombal e a sistematização educacional que existia foi destruída. No entanto, não existiu um empenho em introduzir, de fato, o novo sistema educacional baseado nas ideias iluministas aqui no Brasil. Não implementar esse novo sistema educacional, com o mesmo vigor que aconteceu em Portugal foi ocasionado pelo receio do império em perder sua colônia, pois o Brasil em contato com as novas ideias iluministas e filosóficas poderia questionar sua “dependência” da metrópole portuguesa.




Reflexão sobre o Mito da Caverna e a Sala de Aula

Refletindo sobre o mito da caverna em sala de aula, podemos analisar sobre a perspectiva alegórica de que o professor é o prisioneiro que escapou, e possui a missão de guiar seus alunos para a iluminação/saber. No entanto, nesse processo de “iluminação” do educando acontece o espanto, podendo gerar o choque e o estranhamento do conhecimento novo, que precisa ainda de momentos de reflexão dessas ideias para que ocorra a acomodação, ou seja, a compreensão do novo conhecimento adquirido.
Nessa perspectiva, também podemos citar a figura do professor como aquele que saiu da caverna, ampliando seus conhecimentos e experiências através da formação continuada e suas próprias vivências, no entanto, ao voltar para a escola (caverna) desejoso em aplicar as novas ideias e projetos encontra um ambiente conservador e hostil.
Essa “resistência” na escola acerca do novo trás inúmeras frustrações (morte) a carreira docente e o professor necessita buscar cotidianamente aquilo que encontrou fora da caverna um dia.





Referências

PAGNI, Pedro Angelo. A Filosofia da Educação platônica: o desejo de sabedoria e a Paideia justa. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA [UNESP]; UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO [UNIVESP] (Org.).Caderno de formação: formação de professores: educação, cultura e desenvolvimento. São Paulo: Cultura Acadêmica: Universidade Estadual Paulista, Pró-Reitoria de Graduação, 2010. v. 2. p. 13-30. ISBN 978-85-7983-051-8. Disponível em: <https://hec.su/dDEU>. Acesso em: 06 maio 2016. (Filosofia da Educação, Caderno de formação n. 4, bloco 1, módulo 2).